A Caxemira, no norte da Índia, é famosa pelos seus tacos de críquete. Eles são feitos de madeira de salgueiro, uma árvore que cresce muito por lá. Em Sangam, uma cidade perto de Srinagar, existem quase duzentas oficinas que fazem tacos. Os salgueiros crescem em fileiras dos dois lados da estrada.
Rehman Chacha tinha uma fábrica de tacos em Sangam. Os tacos ficavam empilhados em fileiras bem arrumadas. Rehman Chacha era um homem velho, com as costas curvadas. Ele estava sempre de testa franzida e andava com uma bengala.
Aamir trabalhava na fábrica. Todos os dias, depois da escola, o seu filho Ahmed ia para lá. O menino olhava as pilhas altas de tacos e ficava de boca aberta. À noite, via a lua atrás das pilhas e pensava: “Se eu subir lá em cima, será que consigo tocar na lua?”
Quando o pai terminava um taco, Ahmed passava os dedos na madeira lisa. Depois, segurava o taco pelo cabo e o balançava no ar. Ele tinha só sete anos, mas sonhava em ser um grande jogador de críquete, como o famoso Sachin Tendulkar.
Todas as noites, antes de os trabalhadores irem para casa, Rehman Chacha contava os tacos do armazém. Ele era muito cuidadoso. Se faltava um taco, ele virava detetive. E foi o que aconteceu! Uma manhã, quando abriu o armazém para colocar os tacos no caminhão, ele viu que faltava um. E era o maior e o mais leve de todos!
Rehman Chacha ficou furioso e mandou todos os trabalhadores fazerem uma fila. “Falta um taco! Onde ele está?”, gritou. Todos olharam para o chão e balançaram a cabeça. Ninguém tinha coragem de olhar para ele quando estava bravo. “Como um taco pode sumir durante a noite? Só eu e vocês entramos no armazém!”
Então Rehman Chacha olhou para Aamir. “Aha! Onde está o Ahmed, Aamir? Hoje ninguém viu o menino.” “O Ahmed está doente, Rehman Chacha. Ele está gripado”, respondeu Aamir, ainda olhando para baixo. De repente, um por um, todos começaram a sorrir. Depois, começaram a rir. Até Aamir!
“Por que vocês estão rindo?”, perguntou Rehman Chacha, muito bravo. “Achamos o taco, Chacha!”, disse Aamir, aliviado. “Mas… vocês estão todos aqui na minha frente. Onde ele está?” Todos olharam para a mão de Rehman Chacha. Ele também olhou. Na mão, em vez da bengala, ele segurava o taco de críquete! Ninguém sabia que Rehman Chacha podia rir tão alto. E ninguém sabia, até aquele dia, que ele usava dentadura!