No tempo do Império, perto da cidade de Campos, no estado do Rio de Janeiro, havia uma grande e rica fazenda. Numa tarde bonita, numa sala da casa, uma moça tocava piano e cantava uma canção triste. A canção falava de uma escrava que sofria e sonhava com a liberdade.
A moça se chamava Isaura. Ela tinha dezoito anos, era muito bonita, de pele clara, cabelos escuros e ondulados e olhos tristes. Era inteligente, sabia ler, escrever, tocar piano, cantar, desenhar e falar francês. Mas Isaura era escrava.
A mãe de Isaura tinha sido uma escrava da fazenda e morreu quando ela era bebê. O pai era Miguel, um português que trabalhava na fazenda como feitor. A antiga dona da fazenda, a mulher do comendador Almeida, gostava muito de Isaura. Criou a menina como se fosse sua filha e deu a ela uma ótima educação. Sempre prometia dar a liberdade a Isaura, mas morreu sem fazer isso.
Agora, o dono da fazenda era Leôncio, o filho do comendador. Leôncio era rico, bonito, mas mau, vaidoso e egoísta. Ele era casado com Malvina, uma moça doce e alegre. Mas Leôncio não amava a mulher. Ele queria Isaura. Perseguia a moça o tempo todo e prometia joias, vestidos e até a liberdade, se ela aceitasse ser sua amante. Isaura sempre recusava.
Naquela tarde, Malvina ouviu Isaura cantar e disse:
— Que voz bonita! Mas por que você canta uma canção tão triste? Você não é feliz aqui?
— Sou uma escrava, senhora — respondeu Isaura. — Todo o meu talento não serve para nada. Só sirvo para obedecer.
Malvina gostava muito de Isaura e prometeu pedir ao marido a liberdade da moça.
Na fazenda havia outras pessoas que olhavam para Isaura. Henrique, o irmão de Malvina, que estava de visita, também tentou conquistar a moça, e ela também recusou. Havia Belchior, o jardineiro, um homem pequeno, corcunda e feio, mas bom, que amava Isaura em silêncio e deixava flores para ela. E havia Rosa, outra escrava, que tinha ciúme de Isaura, porque Isaura era tratada melhor.
Henrique ficou ofendido com a recusa de Isaura e contou à irmã que Leôncio perseguia a escrava. Malvina ficou chocada e brigou com o marido. Leôncio negou tudo. Mas Malvina decidiu deixar a fazenda e voltar para a casa do pai.