Chapitre 1 sur 2 · A2 · Facile
A corrida de cavalos
Le Petit Berger noir
Naquele tempo, os campos do Sul do Brasil ainda eram abertos. Não havia cercas, e os animais corriam livres pelos pampas.
Era uma vez um estancieiro, um homem rico, dono de muitas terras e de muito ouro. Mas ele era mau e avarento. Não dava comida nem pouso a ninguém. Os trabalhadores não gostavam dele, porque ele pagava mal e dava pouca comida.
O estancieiro só gostava de três seres no mundo: do filho, um menino chato e malvado; de um cavalo baio, muito rápido, que era o seu cavalo de corrida; e de um escravo, ainda menino, muito pequeno e muito negro. Esse escravo não tinha nome nem padrinho. Por isso, todos o chamavam de Negrinho, e ele dizia que era afilhado da Virgem Maria, Nossa Senhora, que é a madrinha de quem não tem madrinha. O Negrinho cuidava do cavalo baio, e o filho do estancieiro gostava de maltratá-lo.
Um dia, o estancieiro combinou uma corrida de cavalos com um vizinho. O baio do estancieiro ia correr contra o cavalo mouro do vizinho. O prêmio era muito alto: mil moedas de ouro. O vizinho queria que o prêmio fosse para os pobres, mas o estancieiro não aceitou.
No dia da corrida, muita gente veio assistir, como numa grande festa. O Negrinho montou no baio. Os dois cavalos correram juntos, lado a lado, muito rápidos.
— Ajude-me, Virgem madrinha! — dizia o Negrinho. — Se o baio perder, o meu senhor me mata!
Mas, perto do fim, o baio se assustou, parou de repente e deu uma volta. O mouro passou na frente e ganhou a corrida.
— Foi trapaça! — gritou o estancieiro.
Mas o juiz disse que a corrida tinha sido justa. O estancieiro teve que pagar as mil moedas de ouro. O vizinho ficou feliz e distribuiu presentes aos pobres da região.
O estancieiro voltou para casa calado, mas com o coração cheio de raiva. Mandou amarrar o Negrinho e bater nele com um chicote. Na madrugada seguinte, levou o menino até o alto de uma colina e disse:
— A pista da corrida tinha trinta quadras. Então, durante trinta dias, você vai ficar aqui cuidando dos meus trinta cavalos pretos. O baio fica amarrado em você.
O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos comiam a grama. Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O menino estava com muita fome e muito cansado. Amarrou a corda do baio no pulso e deitou-se encostado num cupinzeiro.
Então vieram as corujas. Elas voaram em volta dele, olhando com olhos amarelos no escuro, e piaram como se rissem dele. O Negrinho tremia de medo. Mas pensou na sua madrinha, Nossa Senhora, ficou calmo e dormiu.
Mais tarde, chegaram uns bichos ladrões, os guaraxains. Eles cortaram a corda com os dentes. O baio, livre, saiu galopando, e todos os cavalos fugiram atrás dele, no escuro. O barulho acordou o Negrinho. Mas já era tarde: os cavalos tinham sumido na neblina. E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou.