Chapitre 1 sur 3 · A2 · Facile
O Olho
Le Cœur révélateur
É verdade! Eu sou nervoso, muito, muito nervoso. Sempre fui nervoso. Mas por que vocês dizem que sou louco? Meus sentidos estão mais fortes do que nunca. Principalmente a minha audição, que é muito boa. Eu escuto tudo no céu e na terra. Então como posso ser louco? Escutem e vejam com que calma eu conto toda a história.
Eu morava numa casa com um velho. Eu gostava do velho. Ele nunca me fez nada de mal. Nunca me insultou. Eu não queria o ouro dele. Acho que era o olho dele! Sim, era isso! Um dos olhos dele era como o olho de um abutre. Era azul-claro, com uma película fina por cima. Sempre que ele olhava para mim, meu sangue gelava.
Pouco a pouco, decidi me livrar do olho para sempre. Agora vem o ponto principal. Vocês acham que sou louco. Os loucos não sabem de nada. Mas vocês deviam me ver! Deviam ver como trabalhei com sabedoria, com cuidado, com paciência.
Nunca fui tão gentil com o velho como na semana antes. Toda noite, por volta da meia-noite, eu girava a maçaneta da porta dele e abria bem, bem devagar. Depois colocava minha lanterna no quarto. Ela estava fechada, então nenhuma luz saía. Depois eu enfiava a cabeça, bem devagar, para não acordar o velho. Eu levava uma hora para colocar a cabeça toda dentro do quarto. Um louco seria tão cuidadoso?
Então eu abria a lanterna só um pouquinho, para que um raio fino de luz caísse sobre o olho de abutre. Fiz isso por sete longas noites. Mas o olho estava sempre fechado, então eu não podia fazer meu trabalho. Não era o velho que me incomodava. Era o Mau-Olhado dele. E toda manhã eu ia ao quarto dele, falava com ele com gentileza e perguntava como ele tinha dormido.