第1章(全3章) · A2 · やさしい
A moça do leque chinês
金髪の娘の奇妙な話
Conheci Macário numa estalagem, uma pousada simples no norte de Portugal. Era uma noite fria de setembro. Ele era um homem velho, alto e gordo, careca, com óculos redondos e roupas antigas. Depois do jantar, conversamos perto do fogo, e ele me contou a história mais importante da sua vida. “O meu caso é simples”, começou.
Quando era jovem, Macário trabalhava em Lisboa, no grande armazém de tecidos do tio Francisco. Ele era o guarda-livros: fazia as contas e escrevia as cartas, com uma letra muito bonita. Morava na casa do tio, em cima do armazém. Era um rapaz loiro, de barba curta, sério e trabalhador.
Na casa da frente, no terceiro andar, foi morar uma senhora de quarenta anos, vestida de preto. Uma noite de julho, Macário estava fumando na janela quando viu, na janela da frente, uma moça loira, muito clara, com um lindo leque chinês nas mãos. Era a filha da senhora de preto. Cinco dias depois, Macário estava louco de amor por ela. O seu trabalho ficou lento, e a sua letra bonita ficou cheia de rabiscos.
Um dia, a mãe e a filha atravessaram a rua e entraram no armazém. Macário desceu correndo, com o coração batendo forte. Ele mesmo foi atender as duas, coisa que nunca fazia. Mas o tio Francisco apareceu, com o seu casaco comprido, e ficou olhando. As senhoras compraram alguns lenços e saíram. Mais tarde, o tio disse, muito sério:
— Faltam doze mil-réis de lenços. É isso que acontece quando deixamos entrar gente pobre no armazém. Ponha na minha conta.
Macário não deu importância. Ele só pensava na moça.
Um amigo de Macário, um rapaz que sempre usava chapéu de palha, conhecia a família. Ele contou que a senhora se chamava Vilaça e que a filha se chamava Luísa. Elas iam todos os sábados à casa de um tabelião rico, onde havia festas com música, poesia e jogos de cartas. O amigo levou Macário a essas festas.
Na primeira noite, Macário sentou-se ao lado de Luísa durante o jogo. Ela era doce e calma, falava pouco e sorria muito. De repente, uma moeda de ouro que estava na mesa desapareceu. Todos procuraram no chão, mas ninguém encontrou. Macário pensou que um padre que estava ali tinha pisado a moeda e a escondido.
— E a moeda? — perguntou o amigo, na saída.
— Não pensei mais nisso! — respondeu Macário. — Pensava eu lá na moeda! Decidi me casar com ela!
Logo Macário começou a visitar a casa das Vilaças, aos domingos. E um dia, numa saleta escura, ele e Luísa trocaram um beijo. Desde então, ele tinha certeza: queria se casar com ela.