Era muito cedo. No ninho, a corva Kaage acordou e olhou em volta. Ela estava entediada. Abriu o bico e gritou algumas vezes: “Cá, cá!” De repente, ouviu uma música linda. Perto dali, um koel, um pássaro de canto muito doce, estava cantando.
No começo, Kaage gostou da música. Depois, ficou brava. Não era justo! Foi ela que esquentou o ovo de onde o koel nasceu, e agora aquele passarinho cantava muito melhor do que ela! “Não devo sentir ciúmes”, pensou Kaage. “Vou pedir aulas de canto ao koel.”
Kaage procurou o koel e finalmente o encontrou. “Você me ensina a cantar?”, perguntou ela, com educação. “Tudo bem”, disse o koel, “mas com uma condição. Você precisa chegar aqui muito cedo, todas as manhãs, quando o sol nasce.”
Kaage adorava dormir e nunca acordava antes do sol. Mas, naquela noite, ela colocou o despertador para tocar bem cedo. De manhã, pulou da cama, esfregou os olhos e voou para a aula. O koel já estava esperando. “Agora cante comigo: cu-hu, cu-hu…” Kaage tentou com vontade, mas só conseguiu dizer: “Cá, cá!” Depois de um tempo, o koel desistiu. “É impossível. Procure outro professor.” E foi embora.
Kaage voltou para o ninho chorando. Os dias passaram. Um dia, o céu ficou cheio de nuvens escuras e começou a chover um pouco. Do ninho, Kaage viu o pavão abrir as penas lindas da cauda e dançar. “Talvez o pavão me ensine a dançar”, pensou. O pavão aceitou: “É só fazer como eu.” Kaage abriu a cauda e tentou, uma vez, duas vezes, muitas vezes. Mas nunca fazia direito. “Você nunca vai aprender a dançar!”, gritou o pavão, furioso, e foi embora.
Então Kaage pensou: “Talvez eu possa aprender a fazer um ninho bonito.” Ela foi falar com o pardal. Mas o pardal levantou o nariz: “Você? Você nunca vai fazer um ninho como o meu!”
Kaage ficou muito triste. Será que ela não era boa em nada? Do ninho, olhou para baixo e viu um monte de arroz no quintal de uma casa. Logo começou a gritar bem alto para chamar a família e os amigos para a festa. Todos vieram e comeram até ficar satisfeitos.
Foi aí que Kaage teve uma ideia. Ela não sabia cantar, nem dançar, nem fazer um ninho bonito. Mas que outro pássaro chama os outros quando encontra comida? O koel, não. O pavão, não. O pardal, com certeza não. Só os corvos fazem isso! Kaage ficou orgulhosa de fazer parte de uma família tão generosa. Os outros corvos viram como ela estava feliz. “O que foi, Kaage? Vai se casar?”, brincaram. E Kaage ficou toda vermelha.