Trecho
Caio estava fechando o notebook quando recebeu de Bia um áudio de pouco mais de um minuto. Ela dizia que tinha finalmente chegado a uma versão decente do texto de inscrição e que, quando ele tivesse um tempinho, podia dar uma olhada — sem pressa. O “sem pressa”, no entanto, vinha depois de uma pausa comprida demais e de um suspiro que o áudio não conseguia disfarçar. Além disso, a mensagem tinha chegado às 22h47, um horário em que pedidos genuinamente tranquilos costumavam vir acompanhados de um “quando der amanhã”. Naquele contexto, a frase não soava casual: parecia uma maneira cuidadosa de pedir socorro sem admitir que estava pedindo.